BB quer aumentar 50% na mensalidade do plano de saúde dos ativos e aposentados

16/01/2015 14:25:24

BB quer aumentar 50% na mensalidade do plano de saúde dos ativos e aposentados 

A Contraf-CUT, federações e sindicatos cobraram da direção do Banco do Brasil em dezembro último informações precisas a respeito das intenções da empresa em aumentar o valor das mensalidades do plano de saúde do funcionalismo e reduzir direitos. O banco não se reuniu com as entidades sindicais e sequer enviou resposta ao ofício com as informações. Ao mesmo tempo, as entidades sindicais convidaram os dirigentes eleitos da Cassi para esclarecerem dúvidas e apresentarem suas opiniões e propostas a respeito dos mesmos boatos sobre aumento de custeio para os bancários. Os dirigentes eleitos atenderam prontamente o convite da ContrafCUT e se reuniram com a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) no dia 17 de dezembro, quando apresentaram um histórico recente dos défi cits do Plano de Associados da Cassi e os principais motivos do défi cit. Também explicaram as propostas apresentadas pelos gestores eleitos para ampliar os direitos em saúde para os associados da Cassi, ampliando o Modelo de Atenção Integral e trazendo perspectivas de maior sustentabilidade para os planos de saúde da Caixa de Assistência, além de maiores resultados em promoção de saúde e prevenção de doenças.


BB quer aumentar mensalidade e reduzir direitos sem dialogar com sindicatos


Ao invés do diálogo com as entidades sindicais, o BB propôs através de seus representantes na direção da Cassi aumentar a mensalidade dos bancários da ativa e aposentados em 50%, passando suas contribuições de 3% para 4,5%. Como o banco não pode aumentar as mensalidades mudando o estatuto sem autorização do Corpo Social, propôs consulta aos associados e, enquanto isso não ocorra, impõe corte de diversos direitos em saúde e aumento nas coparticipações já a partir de janeiro de 2015. Os dirigentes eleitos da Cassi rejeitaram todas as propostas do banco e apresentaram Iniciativas Estratégicas que aprofundam o Modelo de Atenção Integral e estendem o direito para todos os associados e estão à disposição dos sindicatos e das entidades associativas para lutar pela implantação do Sistema Integrado de Serviços de Saúde da Cassi, priorizando e ampliando as CliniCassis para o conjunto dos participantes porque o modelo cuida da saúde do bancário e seus dependentes ao longo da vida, ficando menos à mercê de inúmeros fatores externos que apenas encarecem os procedimentos, sem trazer benefícios à saúde da população assistida e que estão gerando grave crise dos sistemas de saúde públicos e privados. O Sistema Integrado proposto pelos eleitos é mais eficaz e resolutivo para evitar fraudes contra os planos de saúde, além de evitar cirurgias desnecessárias e que ponha em risco a vida e a saúde dos associados e dependentes. Os dirigentes eleitos da Cassi propõem também que o BB faça contribuições extraordinárias nos exercícios de 2015 e 2016 para reequilibrar as reservas do Plano de Associados e viabilizar a continuidade operacional e administrativa da Cassi, sem restringir direitos e enquanto se implanta o Programa de Excelência no Relacionamento. A proposta foi apresentada pelos eleitos ao banco e à Cassi em dezembro com Iniciativas Estratégicas que avançam no Modelo de Serviços de Saúde da Cassi, estendendo para o conjunto dos associados o direito a estarem cadastrados na Estratégia Saúde da Família (ESF), com equipes médicas multidisciplinares e com mais unidades CliniCassis, adequadas ao tamanho de cada população e de acordo com as características epidemiológicas destas populações em cada Estado. Esse é o modelo de sistema de saúde que apresenta os melhores resultados sanitários e de sustentabilidade econômico-financeira em países como Canadá, Holanda e Inglaterra.


BB corta em janeiro programa de cuidados a doentes crônicos (PAC)


O Conselho Deliberativo da Cassi, instância máxima da entidade, aprovou por consenso em outubro/2014 a manutenção do Programa de Atenção aos Crônicos (PAC) e o BB decide cortar o atendimento já em janeiro para retaliar os eleitos por não concordarem com o aumento das contribuições e redução de direitos dos associados. O programa atende a mais de 10 mil participantes e evita milhares de internações hospitalares, que são mais onerosas e expõem os pacientes a riscos comuns nesses ambientes como, por exemplo, as infecções hospitalares. A maioria das propostas do banco trazem grandes prejuízos aos bancários e dependentes. Além de aumentos nas coparticipações sobre consultas e exames médicos, a direção do BB propõe até criar franquias de R$ 1.500 em internações, o que prejudicaria muito mais os trabalhadores que ganham menos e que já estão adoecidos, em muitos casos inclusive porque adoeceram trabalhando e sofrendo as consequências das metas absurdas, de práticas de assédio moral e péssimas condições
de trabalho.


Além de cortar direitos sem negociação, direção do banco bate cabeça na governança da Cassi


Ao que parece, é necessário que o governo federal interceda na questão da saúde dos funcionários do BB porque a presidenta reeleita Dilma Rousseff dirigiu-se pessoalmente ao funcionalismo na campanha eleitoral afirmando que fortaleceria as empresas públicas e que valorizaria seus empregados. Sem contar ter afirmado que não mexeria em direitos dos trabalhadores nem que a vaca tossisse. Já a direção do banco, de forma unilateral, impõe aumento de contribuição, redução de direitos em saúde, afetando milhares de doentes crônicos, e propõe onerar somente uma parte dos responsáveis pela autogestão da Cassi, os trabalhadores, deixando o BB livre de qualquer custo. Além disso, o BB continua enfrentando problemas de disciplina e coesão entre seus indicados na governança da Cassi porque tem diretor do banco que faltou à maioria das reuniões ordinárias e extraordinárias do Conselho Deliberativo da Cassi em 2014. E o pior é que, quando aparece, discorda de decisões tomadas pelos outros indicados pelo patrocinador. Isso deveria ser inadmissível ao se tratar da governança do maior banco do país.

 

Fonte Jornal Espelho BB